Giselle, a espiã nua que abalou Paris é um romance perturbador do pós-guerra, no qual o erotismo é mascarado como arma política, e o desejo escapista é excitado como combate direto contra o nazismo. Publicado pelo “Diário da Noite” carioca, em 1948, e atribuído a David Nasser, o maiorrepresentante da “reportagem ficcionista” brasileira, o folhetim se apresentava como relato verdadeiro de uma jovem francesa que seduzia oficiais do Reich para arrancar-lhes segredos e entregá-los à Resistência. Traidora e prostituta aos olhos da moral, Giselle seria uma guerreira clandestina — uma variante de Joana d’Arc, cujo corpo magnífico, inteiramente profanável, se torna o mais acirrado campo de batalha contra o nazifascismo. A presente edição da “Coleção Quimera” restitui integralmente os 59 capítulos originais, com notas e aparato editorial, revelando um clássico perturbador da cultura de massa brasileira, onde escândalo jornalístico, espírito comercial e imaginação antinazista se fundem sem risco de pudor.
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