-Eu só vim conhecer meu pai, quando me encontrei com a historiadora Cristina Matta Machado que ia defender uma tese sobre o cangaço” - foi o que disse a Expedita Ferreira, filha de Lampião numa entrevista que concedeu a Rede Globo de Televisão na década de 70. Ela ser referia aos encontros que tivemos com ela e com remanescentes de Angico, em 1968. Quando a encontramos pela primeira vez em Aracaju, foi uma conversa difícil, porque ela abominava falar sobre o cangaço, mas aos poucos foi assimilando nossas lições, foi entendendo a dimensão histórica do seu pai, e foi jogando fora as insinuações maldosas que sofrera na adolescência. Mil novecentos e sessenta e oito foi um divisor de águas na História do Cangaço no Brasil, e nesse livro, Humberto Mesquita além de buscar todas as raízes que envolveram esse movimento revoltoso desde o período colonial, faz um relato dessa odisseia vivida por uma equipe que precisava resgatar os acontecimentos sem mentiras, nem fantasias, e as histórias passaram a ser contadas por alguns que a viveram.