Na voz que o vento adorna e leva,
teu doce sotaque é vinho que embriaga
Mas de beijos só na taça que te afaga,
e fechas o jardim quando não se atreva.
Não há como colher sabotando a seiva,
nem amar se o passo nunca se alarga.
Tu és canção que acena e logo apaga,
eco que chama e foge à própria treva.
Fazes da ausência o mais sutil encanto,
e em teus espelhos, vejo um mar sem cais,
ondas que acenam, mas recuam tanto...
Quem te deseja, aprende: amor se desfaz.
Se a flor não aceita o risco do pranto,
e vive só para enfeitar quintais.