Hésio Cordeiro foi uma das mais importantes figuras da saúde pública brasileira, por sua militância política pelo direito à saúde, sua profunda visão crítica da economia política da saúde no Brasil, por sua coragem à frente do Inamps. Hésio também criou o Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj, uma das mais importantes instituições onde foi pensada a Reforma Sanitária dos anos 1980. No IMS, escreveu, em 1975, A questão democrática na área da saúde, com José Luís Fiori e Reinaldo Guimarães, texto fundamental para a conquista do SUS. Ao tomar posse como presidente do Inamps, em 1985, prometeu acabar com a instituição, para colocar no seu lugar um sistema público e gratuito de saúde. Liderava as reuniões de forma tranquila, ouvia atentamente e sintetizava habilmente as opiniões mais diversas. Dos seus escritos, destacam-se A Indústria da Saúde no Brasil (1980), e As Empresas Médicas: as transformações capitalistas da prática médica (1984), publicados pela Graal, obrigatórios para se entender a saúde pública no Brasil. Resultaram de sua dissertação, orientada por Maria Andrea Loyola – uma das grandes do IMS e criadora da área da Saúde Coletiva quando presidiu a Capes –, e da tese, orientada por Cecília Donnangelo na USP, professora marxista que influenciou vários autores importantes da área. Ao acabar de ler as entrevistas que compõem este livro, o leitor conheceu um pouco mais sobre um gigante, de temperamento suave e fala mansa, cuja vida mudou para sempre a história da saúde no Brasil. Ganham os leitores, o SUS e a população brasileira com a publicação deste livro. – Paulo Henrique Rodrigues Professor do Instituto de Medicina Social Hésio Cordeiro, Uerj