Há um momento em que tudo desmorona. “Acabou, acabou, acabou”, se diz diante do inevitável. Mas, em Anca, o fim é a travessia de uma mulher entre luto e desejo, em busca de se refazer.
“Da água e do fogo, extrair o abandono da fêmea”: sua avó-fogo escreveu com o corpo o que não pode dizer sua avó-água carregou em silêncio o que não pode viver. As chaves, guardadas na cintura delas, abrem passagens entre memória e corpo, entre o vivido e aquilo que ainda existe em permanecer.
É nesse movimento que a experiência emocional rompe a linearidade da narrativa. A escrita direta, sensorial, irônica e, por vezes, cortante de Ana Izabel Costa de Menezes opera no limite entre o sentir e o nomear. Aqui, a escrita não relata, ela realiza a transformação. É no gesto de narrar que a experiência ganha forma e que o corpo encontra novos contornos.
É um livro-crisálida.